Tu permaneces

Entre relações que nos impedem de subir à superfície para respirar,

a mesmice do quotidiano que ameaça engolir nossos sonhos,

e entre as cedências que fazemos de nosso ser –

um centímetro de nossos sentimentos hoje

um milímetro de nossas vontades amanhã,

é importante mantermo-nos na posse de nossos instintos,

de nossa mais profunda camada – aquela que nossa pele não consegue alcançar,

pois é em nossos instintos que mora a verdadeira identidade,

a alma,

indestrutível e inquebrável.

Por mais que abdiquemos de pequenos pedaços do eu,

os instintos,

a força da alma,

não morrerão.

Tu,

permaneces.

Teu lar é perfeito

Pequena, pequena,

quem te ensinou a abandonar o teu corpo?

Quem te deu olhos de não ver,

olhos que julgam demasiado grandes ou muito pequenas as ancas que carregam Vénus?

Quem te contou histórias de seios desenhados com um só molde?

E as tuas curvas?

Que consideras tu ter muitas, ter poucas, querias ser cópia do que vês com olhos de não ver,

pequena,

quem te afastou do abraço que teu corpo concebe?

Teu corpo, portal do céu e das estrelas,

portal de luz e trevas,

Teu. Inteiramente teu.

Inteiramente único.

Com medidas que só à ti se destinam.

Pequena,

vê com olhos de ver,

ama com palavras que embalam,

teu corpo é teu lar,

teu lar é perfeito.

Hidrata tua pele com o toque de um amor saudável(1)

nutre tua voz falando do que te apaixona,

alimenta teu metabolismo com a vitamina de teus sonhos,

Arruma tua mente, reconstrói teus traumas

com terapia,

ideias e projectos.

Lima os excessos:

desculpas, indecisões, medos.

Lava tuas roupas enxaguando tuas

mágoas e rancores de teus dias.

Acarinha teu ser:

ouve tua intuição,

sente tua verdade,

caminha com firmeza,

e oferece a teu “ eu “

infinitos recomeços.

{…}

Me encontro numa fase de luto por todos os “ eus “ que já fui,
tudo aquilo que eu podia jurar que eu sabia,
todos os caminhos que rotulei de certos,
minha pele se descamou frente a meus olhos
e me deixou nua,
apátrida,
sem identidade

tantas revoluções e evoluções
trazem as mudanças, eu sei,
mas quão vazio é
o tempo de espera entre nosso eu antigo
e nosso ser emergente,
quão solitário é
abrir mão do conhecido
para que o desconhecido possa morar

quão imenso é
o vazio entre mudanças

Quando as solas de teus pés se cansarem,
deixa que tuas lágrimas as lavem,
deixa que tuas mãos sacudam teus joelhos, da dor da queda,
permite que o tempo se cale

e quando sentires que poderás caminhar outra vez, não hesites.
Recomeça o caminho quantas vezes forem necessárias,
abraça teu ser infinitamente.
Tu mereces isso.
Recomeços e infinitas tentativas.

O amor não devia precisar de códigos

Te tenho comigo,

mas já pensando na tua partida,

tuas vindas são tão breves,

me sinto como um bar

onde estranhos afogam as suas mágoas

mas nunca querem morar,

me questiono sobre o significado de tuas atitudes

“ sinais de que alguém está apaixonado por ti “

busco em dicionários,

o Google já não serve só para meus trabalhos escolares,

pesquiso e pesquiso sobre teu “ vou ligar mais tarde “

mas não liga,

sobre teu “ quero ficar contigo “

mas não fica,

o amor não devia precisar de códigos,

o amor não devia ser assim tão vago, entendes?

Se eu te dissesse

 afirmas sentir falta do calor dos meus beijos,

e me perguntas, que lembraças tenho de ti,

 que momentos guardo no meu peito,

E se eu te disser,

que de ti, eu guardo o medo?

O medo de te encontrar em outros rostos,

O medo de te sentir em outros corpos,

O medo,

o medo de ouvir as tuas mentiras em outras vozes…

e se eu te dissesse,

 que de ti,

guardo apenas o desejo de não viver o mesmo?

Responderia a tua questão?